23/1/2008

As trilhas da minha vida...

Os últimos meses da minha vida não têm me dado espaço para criatividade, nem tampouco tempo para escrever sobre alguma coisa.

 

Mas hoje, mais com um desabafo, devo dizer que a música, mais uma vez, salvou minha vida, ou melhor, vem salvando. Ela continua exercendo aquela força inexplicável sobre mim, que me conforta, me transforma, que me faz pensar em dias melhores, me arranca sorrisos tímidos e me faz pensar. “Ufa! Então é isso!”

 

Desde menina, se eu tivesse algum problema (e olhe que eu achava que tinha problema naquela época), eu me agarrava a algum disco, a alguma música durante semanas e seguia em frente...sempre dava certo.

 

Então, aqui vai um conselho pra você que tá passando por qualquer barra: o segredo está no molho :) E vida sem música é como macarrão sem molho. Fica sem graça, sem gosto. Seja qual for a sua preferência, escute em alto e bom som, no mínimo três vezes por dia...chore quando sentir vontade ao som da sua trilha, dê gargalhadas ao lembrar de momentos incríveis que passou ao som daquela música...porque na verdade, a nossa vida se resume a uma trilha sonora bem piegas, cheia de clichês, com alegrias, tristezas, perdas e vitórias que pedem um belo fundo musical para acompanhá-la.

 

Afinal, você não vai querer olhar pra trás e perceber que sua vida foi um filme mudo, não é mesmo? :)

 

Ps: Eu poderia dizer pra vocês qual a trilha que vem me acompanhado nessa fase da minha vida, se não fosse causar polêmica...mas prometo que ainda vou fazer um post só sobre ela :) Adoro!



2/11/2007

What the fuck are the Arctic Monkeys?

A pergunta desaforada (e novo título do EP) é da própria banda, que acha que o mundo está fazendo estardalhaço demais chamando o grupo de ‘salvadores do rock’. Se eles salvaram o rock ainda não sei, mas salvaram a minha noite, sem dúvida.

A emoção de assistir o show do Roger Waters em março foi indescritível (um dia escrevo sobre isso aqui...), mas a energia do show do Arctic Monkeys é definitivamente inacreditável! Os caras tocam, mas tocam muito!!! Toda a vibração ‘cool’ do Tim Festival foi diretamente canalizada para o espetáculo que eles deram no palco. Um show curto, é verdade...com a usual formalidade britânica, o quarteto de Sheffield Alex Turner, Jamie Cook, Matt Helders e Nick O'Malley destruíram na tenda no Novo Rock Inglês. Destaques, muitos destaques para o vocal e guitarra de Alex (engraçadíssimo com sua blusa de botão por dentro da calça com cinto e sapato combinando) e pro batera, que manteve a energia contagiante do início ao fim. Fim mesmo, porque não teve nem um ‘bis’.

 

Ah sim! O mérito do público foi incontestável no quesito energia. A galera cantou todas as músicas junto com a banda, fez coreografia, acompanhou nas palmas, enfim, eles tomaram um ‘tapa com luva de pelica’, porque a famosa ‘frieza’ britânica foi retribuída com o famoso ‘calor brasileiro’. Duvido que eles não tenham gostado.

 

O grupo começou com “Sandtrap”, seguida por “This house is a circus” e “Brianstorm”. Só algumas músicas depois, Alex soltou um ‘oi’ pra galera que, claro, foi ao delírio, inclusive eu. “D is for dangerous”, “Fake tales of San Francisco”, “Dancing shoes” (um dos pontos altos da noite pra mim), “When the sun goes down”, “A certain romance”, canções que levaram a galera ao delírio, mas convenhamos, “I bet that you look good on the dance floor” é A música!! Enfim, os caras mandam bem, tocam muito, têm energia pra levar a galera ali, no cabresto, durante todo o show e são britânicos né... Pra mim eles são sim, a prova de que o mundo pode até não ser salvo, mas de vez em quando a gente passa a acreditar mais um pouco no rock. E só por isso, o mérito já é deles.

 

Andei lendo algumas críticas sobre o Festival (no Rio, a chuva atrapalhou e infelizmente não rolou a tenda Rock Brasil L queria muito ver a Vanguart. Em SP soube que a organização foi um desastre, as bandas atrasaram horas pra entrar no palco, enfim) e não vi nada a respeito de uma grata surpresa pra mim: Hot Chip, que abriu para o Arctic.

 

Já tinha ouvido falar que a tal banda tava arrebentando nas pistas do Reino Unido, mas não tinha escutado, portanto não sabia do que se tratava. Eles são uma espécie de Pet Shop Boys, misturado com Joy Division/New Order (que eu amo), só que mais moderninho. A definição é “dance-punk/electropop”. Taí..gostei...impossível ficar parado! São três sintetizadores no palco, em meio ao som de três guitarras e muita percussão. O resultado é um som dançante pra caramba, super divertido e lá no finzinho dá pra sentir um ranço dum ‘roquizinho pop’ bem legal. Eu lembro, eu lembro :P

 

Bom, esses foram os shows que eu assisti. ‘De resto’ rolou também Julliet and the Licks, que é mais performática do que qualquer outra coisa pelo que eu já vi e escutei. Mas tudo bem, ela é atriz, não é? Também rolou The Killers, que eu simplesmente não gosto e ponto. Ah! E Bjork...bom, eu não sei se teria paciência pra ver o show dela, mas quem assistiu afirmou que a islandesa esquisitésima que se veste de cisne e bota ovo e tudo mais, foi uma das grandes atrações do TIM. Vai saber...

 

Ano que vem a organização vai tentar trazer o Radiohead. Baseada nos dois discos que eu amo “OK Computer’ e ‘Ammesiac’, a banda é um dos meus sonhos de consumo. Agora, se for depender do Hail to the Thief, é preciso muita coragem pra encarar Thom Yorke. Mas eu topo. Ano que vem tamo lá de novo :P

 

Té mais...

 

ps: tem umas fotos legais pra postar, mas ainda me bato pra caramba por aqui...vou aprender melhor e posto depois :P

 



17/10/2007

Sargento Pimenta

 

Acredito que seja quase um consenso essa coisa do Pepper ser o disco mais cultuado dos Beatles. Sem dúvida alguma, eles revolucionaram tudo, não só em termos de música, de arranjos (recomendo o livro ‘Summer of Love – Making of Sgt. Pepper, de George Martin, produtor dos Beatles com papel essencial, diga-se de passagem, no Pepper), mas de conceito mesmo. Segundo o próprio Paul, a idéia principal era fazer uma opera rock, começando com a apresentação da banda, Billy Shears até o final, onde a banda agradecia o público e ia embora. Mas depois da segunda faixa eles enjoaram e gravaram ‘normalmente’ as outras faixas. Mas mesmo assim, o resultado é aquela mistura de técnica, vozes, ritmos fascinante, que fazem qualquer mortal se apaixonar pelo disco. Imagine em 1967?? A galera deve ter pirado com aquela capa de Peter Blake, o primeiro encarte da história da música a ter as letras das canções, cheia de personalidades famosas e polêmicas...aquela seria a tal platéia do show da banda do Sargento Pimenta. Genial!

 

Tem um monte de curiosidade sobre o Pepper, quem quiser saber algumas, esse link é bem legal: http://whiplash.net/materias/sgtpeppers/000741-beatles.html

 

Pois bem, mas o motivo desse post de hoje foi a ‘descoberta’ de um material fantástico que tá rolando na net. É um projeto chamado ‘Sargento Pimenta’, onde bandas independentes (e isso é o mais legal) fizeram covers das músicas do Sgt. Peppers. É realmente muito difícil eu gostar de algum cover de Beatles. Até hoje, só tinha simpatizado com alguns do filme I Am Sam (Uma Lição de Amor) e só. Mas a galera brazuca simplesmente ARRASOU! Ficou muito bom, os arranjos novos deram uma cara bem atual às músicas, todas ficaram muito modernas...algumas até demais. Vamos lá.

 

·         Sgt.Pepper’s Lonely Hearts Club Band – Madame Mim

 

Ah, essa foi muita informação pra mim! :P O carro-chefe do disco não pode se transformar em outra coisa que não rock e aqui aconteceu justamente o inverso. Ela refez a música num estilo eletrônico, sei lá...dá pra dançar numa rave! Claro, os arranjos ficaram bem feitos, mas o som que rolou não é a minha, não gostei... acho que foi a única. E além do mais, rolou uma parada em espanhol no final. Achei bem tosco viu...preferi a versão do Hendrix :P

 

·         With a Little Help From my Friends - Moptop

 

Eu costumo dizer que a versão do Joe Cocker é melhor do que a dos Beatles (quem nunca se emocionou vendo a abertura de Anos Incríveis??). Mas essa também ficou muito boa. Mérito para o vocal.

 

·         Lucy in the Sky with Diamonds – Columbia

 

Gente, essa ficou incrível! Na introdução rola um diálogo do Julian com o John, acho que pra aliviar mais a tal história de que a música seria uma referência ao LSD, mas na verdade foi escrita a partir de um desenho feito pelo Julian da sua amiga do colégio, Lucy. E é muito fofo. A batida inicial faz você pensar que vai rolar um Footloose :P porque é bem anos 80. A voz da vocalista encaixou perfeitamente na proposta de deixar a música mais dançante, já que a original é lenta e os arranjos de guitarra deram uma batida legal, que dá vontade de dançar...desculpa, gostei mais dessa J

 

·         Getting Better – Filhos da Judith

 

Adoro essa música. É uma mensagem escrachada de otimismo (vamo lá que o negócio ta melhorando e vai melhorar ainda mais...) e a versão é praticamente igual à original.

 

·         Fixing a Hole – Apoena

 

Essa versão ficou muito legal, muito roquenrou, porque o piano da original foi substituído pela boa e velha guitarra! “And it really doesn’t matter if I’m wrong I’m right...”

 

Gente, esse cara é filho de Marcos Frota??

 

·         She’s Leaving Home – Pipodélia

 

Acho essa música muito forte, cheia de sentimento. É a canção de despedida mais linda e sentida de todos os tempos, mas a banda tirou todos os arranjos de orquestra que Martin ralou pra colocar na original e substituiu por voz e violão, que na minha opinião, tiraram a grandeza da música. Tudo bem, ficou legal, mas She’s Leaving Home, só com o Paul no vocal – e Martin e sua super orquestra ao fundo :P

 

Os caras ainda tentaram incrementar no final com uns arranjos experimentais e tal, mas achei que a música ficou chata.

 

·         Being For the Benefit of Mr. Kite – Leela

 

Essa música é encantadoramente difícil de ser tocada e cantada, mas a Leela se saiu muito bem. A versão ficou parecida com a original, mas o vocal feminino deu mais leveza à música, assim como os arranjos do teclado com a guitarra.

 

·         Within you Without you – Prot(o)

 

Eu, particularmente me apaixonei de cara pela versão super moderna da Prot (o). Como o George sempre foi o meu Beatle favorito (sim, eu tenho um Beatle favorito, grande coisa...), eu me amarro na fase hindu dele, não só pela música que é bem legal, mas pelas mensagens que elas passam ("and to see you're really only very small, and life flows on within you and without you" é do caralho!) e essa sempre foi uma das minhas prediletas. E do George também. Ele sempre disse ter um carinho especial por ela, só que os caras colocaram guitarra e a música ficou perfeita. A bateria foi encaixada perfeitamente em cada trecho certo, na hora certa e no final, o solo de guitarra com a batera transformaram a música num rock muito do bom e nem assim, a magia do George se perdeu, a identidade da música continua lá. Fantástico!

 

·         Good Morning, Good Morning – Lasciva Lula

 

O que me chamaram a atenção nessa versão foram a voz e o sotaque do vocalista, que ficaram super divertidos. Assim como a música.

 

·         Sgt.Pepper’s Lonely Hearts Club Band (reprise) – Monotube

 

Ficou boa, gostei. A levada da bateria ‘tuntinstuntinstun’ ficou mais desacelerada do que a original e os arranjos de guitarra no final ficaram muito bons. Os backings também deram uma graça especial à música.

 

·         A Day in the Life – Reverse

 

PQP! Essa foi, sem dúvida, a melhor de todas. Pra fechar com chave de ouro mesmo. A música foi totalmente reinventada, ficou super atual e ‘se tocasse nas rádios, faria sucesso’ :P Claro que o fato da música por si só já ser uma obra de arte ajuda. Só a título de curiosidade, o John a compôs depois de ler o Daily News! O cara acordou, leu o jornal e pensou ‘ops, isso dá música’ e escreveu a porra! Ah, gênio FDP! Ah sim, depois o Paul foi lá e ofereceu um versinho que ele tinha feito...’Woke up, got out of bed...” e o encaixe, como sempre, perfeito!

 

Eu não consegui baixar Lovely Rita e When I’m Sixty Four, que são duas que eu adoro L Se alguém conseguir, me manda.

 

Bom, mas o mais legal dessas versões é que elas foram feitas por gente da música brasileira. E quem me conhece sabe que eu tenho minhas ressalvas em relação ao rock brasileiro. Mas essa galera underground mandou muito bem, aliás, como sempre, e deu orgulho de ver que eles ‘souberam tirar de cada música o que ela tinha de melhor. Mas a impressão que ficou é que o cd foi feito por um monte de fãs de Beatles, gente que entende, que tem sensibilidade pra entender a história de cada música e acho que a diferença tá aí’. Opinião de quem escutou e gostou. Que é a minha também J

 

Quem curte Beatles, o link ta aí, dá pra baixar todas elas e acreditem, vale a pena!

 

http://sargentopimenta2007.blogspot.com/

 

Valeu galera, até a próxima....



11/10/2007

Como tudo começou...

Bom, resisti, resisti, mas não consegui e me rendi aos “encantos” da era digital, onde você pode contar a sua vida inteira num blog desses e escancarar o seu melhor e o seu pior também, pra quem quiser ler :)

 

Como uma boa adepta ao ‘diário de papel’, a idéia de escrever em blog sempre me pareceu um pouco exposta demais. Mas depois acabei me convencendo de que posso usar isso aqui só pra escrever bobagem...colocar opiniões sobre temas mais ‘amenos’ e por aí vai. Então criei meu primeiro blog! O tema escolhido não poderia ser outro que não música, a minha grande paixão. Pra quem não sabe, vou explicar essa minha relação de amor e ódio com a música! Amor sim, porque hoje eu posso me ‘gabar’ de ter um gosto musical relativamente bom (claro que tudo está nos ouvidos de quem escuta), mas o ódio também, afinal, não dá pra escutar “só as cachorras..uh uh uh” e achar que é normal uma coisa dessa! E só para constar: sim, sim, no auge da minha adolescência (num tempo não muito longínquo, diga-se de passagem :P) já dancei muito pagode no Iate ao som de É o Tchan! e já fui pra muito show de Forró Mastruz com Leite...tão rindo de quê? O forró exalta a nossa cultura nordestina, ora!

 

Bom, mas vamos lá. Quando eu tinha uns 15 anos mais ou menos, descobri lá no fundo do armário de meu pai, um CD abandonado, que eu nunca tinha escutado, coisa difícil de acontecer, já que meu pai também é viciado em música. Então, coloquei no som pra ouvir do que se tratava. Era uma coletânea dos Beatles, o Past Masters Vol. 1 (e olhe que o 2 é bem melhor!). Eu simplesmente não acreditava no que tava ouvindo! Aquilo sim, era música! Era A música! E eu pirei! Como uma boa sargitariana, impulsiva e passional, mergulhei de cabeça naquilo ali e a partir daquele dia, os caras viraram a minha vida! Eu dormia pensando em Beatles, acordava pensando neles, escutava o dia inteiro, comia ouvindo, dormia ouvindo, andava de carro ouvindo...enfim, não demorou muito pra eu virar uma beatlemaníaca, e acreditem, já são mais de dez anos nessa onda...não passa não! É viciante!

 

 

Lá em casa todo mundo sempre gostou muito de música. Meu avô é daqueles que escuta o som no volume máximo e ‘ai’ de quem reclamar. Pra ele, música só serve pra se ouvir assim. Meu pai também tem um ótimo gosto musical e dele, herdei algumas boas referências. Eric Clapton e Bob Dylan estão na minha lista de ‘salvadores do mundo’ logo de cara...a história com o Dylan é engraçada...você ouve a primeira vez e quer se matar de tão ruim que é a voz do cara! Mas aí você ouve Blowin’ in the wind e se apaixona de vez! Não precisa nem passar do ‘How many times must a man walk down...’ No alvo!

 

 

Minha paixão sempre foi o rock, não tem jeito. Eu até curto outras coisas. Mas eu amo mesmo é o som da guitarra, do baixo e da bateria. Só isso já dá pra fazer roquenrou de altíssima qualidade. E é assim que eu gosto, quando mais simples, curto e gritado, melhor. Com meu irmão, ‘aprendi’ a escutar muito metal, hard core...e dele, roubei o gosto por Black Sabbath. Não tem jeito, Ozzy e seus morcegos ensanguentados são o melhor golpe de marketing da história do rock, aliado, claro, à boa música. Não tem como não sentir um frio na espinha ao ouvir os primeiros acordes de ”Oh, Mr. Crowley, what went on in your head?” Bom demais!

 

 

Na verdade, o que escuto mesmo hoje em dia, originou bastante da cultura dos anos 60 e 70, que infelizmente eu não vivenciei, mas pela qual me apaixonei mesmo assim. Então ouço muito Stones, Led Zeppelin, Doors, Hendrix, Pink Floyd...adoro um punk bem tocado (ou seria mal-tocado? :P). Sex Pistols, Clash, Ramones...ah, os Ramones!! Aquele visual tosco me encantou no ato!

 

 

Atualmente também escuto muito Strokes, Franz Ferdinand, Libertines (infelizmente, falecida depois da saída de Doherty) e Arctic Monkeys, que pra mim é a banda da vez. Aos poucos vou falando aqui mais um pouco de algumas coisas que eu curto e de que não curto também. De qualquer forma, são só opiniões de quem ama música. Não sou crítica musical, nem tampouco especialista no assunto. Então, perdoem qualquer “ignorância” da minha parte. No mais, have fun :P